terça-feira, 1 de junho de 2010

Temi não mais te ver
Não mais me aproximar de você
Temi não sentir mais teu odor
Não mais provar teu sabor

Temi tanto qu eperdi o que não tinha
A covardia me fez mais sozinha
Inerte, estática, desequilibrada
Duvidando que pudesse ser qualificada

A trajetória já não é o mesmo traçado
O sentimeno é da doença em estágio avançado
Corrói, faz sofrer aos poucos, inacabado
O tempo pira, se vai ao futuro e ao passado
O que parecia seguro já não é tanto
Já não se pode ouvir o seu canto
Sua voz se tornou som estridente
Sua foz agora virou nascente

Nascente de lágrima, de dor e agonia
O que era povoado virou sala vazia
O que era dia de sol virou escuridão
O que era liberdade virou prisão

A condenação é a abstinência
Sob fiança de dependência
Não poderás cumprir em regime semi aberto
Terás um futuro ermo e incerto

Arrancarás do teu peito o pulsar da vida
Não cicatrizando a grande ferida
Na memória as lembranças ficarão cravadas
No corpo as chagas curadas