terça-feira, 30 de março de 2010
[̲̅σ̲̅я̲̅f̲̅є̲̅υ̲̅ ̲̅є̲̅ ̲̅є̲̅υ̲̅я̲̅i̲̅d̲̅i̲̅c̲̅є̲̅]
Orfeu e Eurídice
Grande herói da Trácia, Orfeu era conhecido não pelas suas qualidades de guerreiro, mas pelas suas qualidades musicais. Filho de Apolo e da musa Calíope, recebeu do pai uma lira como presente e aprendeu a tocar com tanta dedicação e beleza, que ninguém conseguia ficar indiferente ao encanto da sua música. Tanto os seres humanos como os animais, e diz-se que até as árvores e os rochedos, se rendiam ao seu fascínio.
Orfeu amava apaixonadamente a ninfa Eurídice. No dia do casamento de ambos, esteve presente Himeneu para abençoar a união, mas o fumo da sua tocha fez lacrimejar os noivos, o que não trouxe augúrios favoráveis. Pouco tempo depois, Eurídice passeava com as ninfas, quando foi surpreendida pelo pastor Aristeu, que, ao vê-la, se apaixonou perdidamente e tentou conquistá-la. Na sua fuga, Eurídice pisou uma cobra e morreu da mordedura que esta lhe fez no pé.
Orfeu, inconsolável, tocou e cantou aos homens e aos deuses, mas nada conseguiu. Decidiu, então, descer ao reino dos mortos para conseguir recuperar Eurídice. Perante o trono de Hades e Perséfone, Orfeu cantou o seu desgosto e o seu amor dizendo que, se não lhe devolvessem Eurídice, ele próprio ficaria ali com ela, no reino dos mortos. Todos os fantasmas que o ouviam choravam e Hades e Perséfone ficaram tão comovidos que lhe devolveram Eurídice. Mas com uma condição: Orfeu poderia levar Eurídice, mas não poderia olhá-la antes de terem alcançado o mundo superior. Caminhando na frente, Orfeu, que estava quase a chegar aos portões de Hades, com receio de ter sido enganado por Hades, virou-se para trás para confirmar se Eurídice o seguia. Esta, com os olhos cheios de lágrimas, foi levada para o mundo dos mortos, por uma força irreversível. Orfeu tentou alcançá-la, mas sem êxito.
Profundamente triste, Orfeu ficou na margem do rio, durante sete dias, sem comer nem dormir, suplicando a volta de Eurídice. Depois, vagueou triste e solitário pelo mundo, sem nunca mais querer saber de mulher alguma e repelindo todas aquelas que o tentavam seduzir, até que um dia, as mulheres da Trácia, enfurecidas pelo seu desprezo, o mataram. O seu corpo foi atirado ao rio Ebro e levado até à ilha de Lesbos, onde, durante muito tempo, a cabeça de Orfeu, presa numa rocha, proferia oráculos. A sua lira foi colocada num templo de Lesbos.
Outra lenda diz que as musas enterraram Orfeu, em Limetra, num túmulo onde o rouxinol canta mais suavemente do que em qualquer outra parte da Grécia e a lira do jovem apaixonado foi colocada por Zeus entre as estrelas. Orfeu encontrou por fim Eurídice e, abraçando-a, nunca mais deixou de contemplá-la.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Ho♥mє♥nα♥gє♥m à I♥sα♥bє♥ℓℓα♥ Nα♥r∂o♥ni♥
ANJOS SACRIFICADOS
Um sorriso se apagou
Uma vida foi ceifada...
Uma história terminou
Antes mesmo de acabada.
No céu, brilhou u’a estrela
A Terra perdeu a luz
Da pequena Isabella,
Que hoje vive com Jesus!
Ela é uma, apenas.
Entre todas as crianças,
Dóceis anjos, tão pequenas,
A quem negaram esperanças!
São crianças violentadas,
Ou vendidas, para uso
De consciências zeradas,
E desumanos abusos!
Por isso, meu Deus, te peço,
Que as proteja dessa sina
De maldade e desapreço
E horrível carnificina!
“Milla Pereira”
Um sorriso se apagou
Uma vida foi ceifada...
Uma história terminou
Antes mesmo de acabada.
No céu, brilhou u’a estrela
A Terra perdeu a luz
Da pequena Isabella,
Que hoje vive com Jesus!
Ela é uma, apenas.
Entre todas as crianças,
Dóceis anjos, tão pequenas,
A quem negaram esperanças!
São crianças violentadas,
Ou vendidas, para uso
De consciências zeradas,
E desumanos abusos!
Por isso, meu Deus, te peço,
Que as proteja dessa sina
De maldade e desapreço
E horrível carnificina!
“Milla Pereira”
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O tempo acaba o ano, o mês e a hora
O tempo acaba o ano, o mês e a hora
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Luís de Camões
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Luís de Camões
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*¨¨Espelho¨¨* :(°º
Estou eu assim
perdida entre meus medos,
meus erros,
minhas derrotas vazias
diante do nada.
A solidão vale apenas
pelo que aprendi com a dor,
e com a dor se aprende
apenas a sofrer.
Perante a mim
sou simplesmente vazio,
oca de sonhos,
coragem perdida
em inúmeros fracassos.
Não adianta chorar,
nem há motivo pra tanto,
tudo é tão perfeitamente certo,
e minha vida tão cegamente guiada.
Não vejo motivo para pranto.
Não há sentido para nada.
"Claudia Marczak"
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Ө£ЋӨک √εяđεک!
Eles verdes são:
E têm por usança
Na cor esperança
E nas obras não.
Camões, Rimas.
São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança
Uns olhos por que morri;
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte.
Diz uma - vida, outra - morte;
Uma - loucura, outra - amor.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São uns olhos verdes, verdes,
Que pode também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do padro,
Mas verdes da cor do mar.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como se lê num espelho
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós, ó meus amigos
Se vos perguntam por mim,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos da cor da esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viram uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar;
Eram verdes sem esperança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que, ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!
Gonçalves Dias
E têm por usança
Na cor esperança
E nas obras não.
Camões, Rimas.
São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança
Uns olhos por que morri;
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte.
Diz uma - vida, outra - morte;
Uma - loucura, outra - amor.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
São uns olhos verdes, verdes,
Que pode também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do padro,
Mas verdes da cor do mar.
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Como se lê num espelho
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós, ó meus amigos
Se vos perguntam por mim,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos da cor da esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viram uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar;
Eram verdes sem esperança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que, ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!
Gonçalves Dias
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quarta-feira, 24 de março de 2010
Esperei...
Esperei por um sorriso
que me deixasse alegre.
E por um olhar
que me emocionasse.
Esperei...
E nessa espera passou-se
minha adolescência,
meus sonhos de criança...
Esperei por um toque nos lábios
que eternizasse um momento.
Esperei pelo dia certo para chorar de felicidade...
Mas vieram os dias
e apenas pude chorar do
sentimento avesso de ser feliz.
Esperei meus olhos amadurecerem
para ver o mundo de outra forma.
Esperei o conforto de braços alheios.
Esperei ouvir palavras encantadas,
mas fiquei aqui me abraçando sozinha,
e ouvindo apenas o tic-tac do relógio.
Esperei um dia para dizer que estou pronta,
pois feliz eu fui...
Mas esse dia que esperei,
não chegou,
apenas chegou a sensação que
a vida não é uma espera,
mas uma conseqüência do que
desejamos e merecemos.
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